Resenhas de Shows
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Amorphis – Carioca Club

Nem mesmo o debate presidencial do segundo turno, transmitido na TV na noite de domingo, 18 de outubro, assustou o público, que compareceu à passagem do Amorphis por São Paulo, encerrando a perna brasileira da turnê de Borderland, álbum lançado em 2025, que antes passou por Curitiba e Belo Horizonte. Foi a sexta passagem da banda finlandesa pelo Brasil e o terceiro show em sequência no Carioca Club, em Pinheiros, que recebeu o Apocalyptica na sexta e o Roy Khan no sábado, e a cidade ainda tinha shows simultâneos, como o Black Label Society, no Terra SP, e o Festival Hardcore São Paulo, na Porta Maldita. Mesmo assim, a casa estava cheia, mas não lotada, para ver uma banda que, em mais de três décadas de estrada, construiu uma identidade própria entre o peso, a melancolia e as melodias do folclore finlandês.

Mas antes, era hora de conferir a banda de abertura, os paulistanos do Throw Me To The Wolves.

Com forte influência da escola de Gotemburgo, o grupo de death metal melódico lançou em 2025 o álbum de estreia, Days of Retribution, e chegou ao Carioca Club depois da sua primeira turnê europeia, realizada em janeiro. A missão de aquecer a casa foi cumprida com um set de cerca de 40 minutos, aberto pela introdução “Genesis” e emendado com “Chaos”, faixa que abre tanto o disco quanto os shows da banda. A sequência seguiu com a faixa-título “Days of Retribution” e “Fragments”, até chegar ao momento mais curioso da apresentação: as inéditas “Angels Fall” e “Forsaken Fears”, ainda não lançadas, que antecipam o segundo álbum, com chegada prevista para o ano que vem. “Angels Fall”, aliás, foi a preferida deste que vos escreve. O set terminou com “Tartarus” e “Gaia”, esta última gravada em estúdio com a participação de Björn “Speed” Strid, vocalista do Soilwork. Vale lembrar que “Chaos”, “Tartarus” e “Gaia” fazem parte da série de faixas conceituais da banda sobre os deuses primordiais da mitologia grega.

O grande destaque ficou com o vocalista Diogo Nunes, dono de uma voz potente e de uma ótima presença de palco, que conduziu a casa com segurança do início ao fim. Ao seu lado, o guitarrista Gui Calegari se destacou nos solos, em dupla com Fabrício Fernandes, o outro guitarrista. A banda, como um todo, mostrou entrosamento e competência à altura de dividir o palco com um nome do porte do Amorphis. O baixo de Fabio Fulini, infelizmente, estava pouco audível, mas deu para notar que ele recorreu a várias técnicas, como pizzicato de três dedos, slap e tapping. Na bateria, Maycon Avelino é um músico preciso e combina bem com a cozinha do Fabio. E o reconhecimento já vem do público: os fãs identificam o Throw Me To The Wolves como um expoente brasileiro do estilo, e lotaram a banca de merchandising da banda no pós-show, além de tirar fotos com os integrantes, que se mostraram muito simpáticos.

SETLIST – THROW ME TO THE WOLVES
01 – Genesis (intro)
02 – Chaos
03 – Days of Retribution
04 – Fragments
05 – Angels Fall (inédita)
06 – Forsaken Fears (inédita)
07 – Tartarus
08 – Gaia

MÚSICOS
Fabrício Fernandes – Guitarra
Maycon Avelino – Bateria
Diogo Nunes – Voz
Fabio Fulini – Baixo
Guilherme Calegari – Guitarra



AMORPHIS

Cerca de 45 minutos depois da banda de abertura, as luzes se apagaram e o Amorphis entrou em cena com “Bones”, faixa de Borderland, seguida de “Light and Shadow”, também do álbum mais recente. O set list foi o mesmo apresentado durante toda a turnê, e seguiu com “Silver Bride”, em uma versão levemente estendida que deixou o público cantando o refrão a capella, “Wrong Direction”, “Death of a King” e “Fog to Fog”, equilibrando a fase atual com os clássicos da última década e meia. Nessa primeira parte, ficou clara a conversa entre os teclados de Santeri Kallio e as guitarras de Esa Holopainen, que sustenta a sonoridade atmosférica da banda. O som, no entanto, estava levemente baixo e sem aquela pressão sonora que a música do Amorphis pede.

Um capítulo à parte merece o baixo. A turnê brasileira aconteceu durante uma mudança temporária na formação: o fundador Olli-Pekka “Oppu” Laine se afastou das viagens pelo restante de 2026, com previsão de retorno no início de 2027, e quem assumiu as cinco cordas foi o finlandês Pyry Hanski, conhecido por seu trabalho no …And Oceans e no Before the Dawn. Infelizmente, seu som estava baixo em comparação aos outros instrumentos. Mas Pyry compensou com simpatia e uma ótima presença de palco. Ele tocou de palheta durante todo o show, salvo em momentos específicos em que usou os dedos, principalmente quando a música pedia staccato. Mesmo com o volume do instrumento aquém do exigido, as composições do Amorphis são repletas de pausas, dedilhados, efeitos e clima, o que permite que o baixo apareça naturalmente.

A introdução de “Thousand Lakes” tocada pelo PA da casa abriu a segunda parte do show, com um retorno ao material de Tales from the Thousand Lakes (1994), e levou a “The Castaway”, “The Lantern”, “The Moon”, “Sampo” e “The Smoke”. O vocalista Tomi Joutsen alternou com naturalidade os guturais e as linhas limpas, conduzindo a plateia ao longo do set. Foi simpático com o público a todo momento, porém um pouco contido, assim como os dois guitarristas. A passagem pelos clássicos ganhou seu ponto alto em “Black Winter Day”, precedida por um trecho de “Magic and Mayhem” e seguida por uma parte de “My Kantele”, do álbum Elegy (1996). Depois, “Dancing Shadow” trouxe a banda de volta ao material novo, antes de “House of Sleep”, de Eclipse (2006), fechar o set principal com o público cantando os refrões.

No bis, o Amorphis voltou com “The Bee”, de Queen of Time, uma escolha de encerramento menos óbvia, de arranjo elaborado e atmosfera dramática, que despediu o público sem atalhos. O som poderia ter mais corpo, mas o repertório e a performance da banda garantiram a noite. No mais, que venha mais um disco e o sétimo show por aqui!

SETLIST – AMORPHIS
01 – Bones
02 – Light and Shadow
03 – Silver Bride
04 – Wrong Direction
05 – Death of a King
06 – Fog to Fog
07 – Thousand Lakes (introdução)
08 – The Castaway
09 – The Lantern
10 – The Moon
11 – Sampo
12 – The Smoke
13 – Magic and Mayhem (trecho)
14 – Black Winter Day
15 – My Kantele (trecho)
16 – Dancing Shadow
17 – House of Sleep
Bis:
18 – The Bee

MÚSICOS
Tomi Joutsen – Voz
Esa Holopainen – Guitarra
Tomi Koivusaari – Guitarra
Pyry Hanski – Baixo
Santeri Kallio – Teclados
Jan Rechberger – Bateria


Agradecimentos
Realização: Bangers Open Air
Produção: Honorsounds
Imprensa/Assessoria: Marcos Franke
Fotos: Bárbara Matos e Bel Santos

Fabio Carito

Fabio Carito é baixista, letrista e compositor. Hoje, é integrante da banda alemã de Power Metal Metalium. Também é sideman de artistas como Tim “Ripper” Owens (Judas Priest/Iced Earth/Yngwie Malmsteen), Udo Dirkschneider (Accept/U.D.O), Roland Grapow (Helloween/Masterplan), Michael Vescera (Malmsteen/Loudness) e Leather Leone (Chastain/Solo), onde excursiona em territórios nacionais e internacionais. Também foi integrante da banda solo do vocalista Warrel Dane (Nevermore/Sanctuary/Solo) até seu falecimento em 2017. Possui mais de 30 trabalhos gravados por gravadoras como Century Media, Massacre Records, Wikimetal e um DVD instrucional lançado de forma independente. É colunista da Cover Baixo desde 2017.
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